Tratamento

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1. Tratamentos dos surtos (agudizações)

A metilprednisolona (corticóide) aplicada em alta dose, sob a forma de pulsoterapia, permanece como o tratamento de escolha para os surtos da esclerose múltipla. A metilprednisolona recompõe a barreira entre o sangue e o cérebro, como pode ser demonstrada pela imagem por ressonância magnética.

2. Prevenção dos surtos (imunoterapia específica)

2.1 - Os interferons

Os interferons (INF) beta são citocinas anti-inflamatórias produzidas por técnicas de engenharia genética (DNA recombinante) e aprovados como eficientes na prevenção de novos surtos da esclerose múltipla. É possível que eles podem também ser úteis na prevenção de progressão dos déficits neurológicos da forma crônica progressiva da esclerose múltipla.

Atualmente dois tipos de INF beta tem sido empregados: INF beta 1-a (Rebif® e Avonex®) e INF beta 1-b (Betaferon®)

2.2 - O acetato de glatirâmer

O acetato de glatirâmer (Copaxone®) é uma mistura de polipeptídeos sintéticos que apresenta reação cruzada com a proteína básica da mielina, sendo capaz de reduzir os surtos da EM. O medicamento é bem tolerado.

2.3 - Imunossupressores

As drogas imunossupressoras têm sido utilizadas no tratamento da EM quando os outros métodos não alcançam sucesso na estabilização dos sintomas. Os imunossupressores em uso são azatioprina, metotrexate, ciclofosfamida e mitoxantrone.

3. Tratamento sintomático

Várias medidas e medicamentos podem ser usados no alívio e controle das manifestações clínicas da esclerose múltipla. Entre as manifestações susceptíveis de abordagem terapêutica sintomática se encontram:

  • Espasticidade
  • Dor e dormência
  • Distúrbios da micção
  • Distúrbios do funcionamento intestinal
  • Distúrbios sexuais
  • Fadiga
  • Ansiedade e depressão.

Novas drogas no tratamento da Esclerose Múltipla

NATALIZUMABE: (Tysabri®)

Medicação aprovada recentemente pelo Ministério da Saúde como medicamento de segunda linha no tratamento da Esclerose Múltipla tipo surto-remissão.

É um anticorpo monoclonal.

Mecanismo de ação: impede a adesão e a entrada de linfócitos no sistema nervoso central, atuando diretamente na barreira hematoencefálica.

Sua eficácia está bem comprovada no tratamento das formas graves de Esclerose Múltipla surto-remissão, que não responderam de forma adequada ao tratamento com Interferon ou Acetato de Glatirâmer.

A prescrição do Natalizumabe deve ser bastante criteriosa, em virtude do risco do paciente desenvolver Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LEMP) - doença grave, que pode causar danos neurológicos irreversíveis e até mesmo morte. O risco de desenvolver LEMP é de aproximadamente 1 para cada 1.000 pacientes tratados.

Contra indicada em gestantes e em pacientes que fizeram uso qualquer imunossupressor nos 6 meses que antecedem o início do tratamento com Natalizumabe.

Uso intravenoso, 1 x a cada 4 semanas. A medicação só pode ser administrada a nível hospitalar e com rigorosa monitorização do paciente.


FINGOLIMODE: (Gilenya®)

Medicação aprovada recentemente pelo Ministério da Saúde como medicamento de primeira linha para o tratamento da Esclerose Múltipla tipo surto-remissão.

Atua como imunossupressor e imunomodulador. A ação principal do Fingolimode decorre da retenção de determinados subgrupos de linfócitos nos linfonodos. Eficácia comprovada no tratamento da Esclerose Múltipla surto-remissão.

Pode desencadear efeitos colaterais no sistema cardiovascular, como bloqueio de ramo e discreta alteração da pressão arterial. Em virtude desses efeitos colaterais, a primeira dose da medicação só deve ser feita a nível hospitalar e deve ser precedida de uma avaliação cardiológica.

Está contra-indicada em pacientes que já fizeram uso de Ciclofosfamida ou Mitoxantrone. Contra-indicada em gestantes.

Por se tratar de uma droga nova no mercado e, em virtude dos efeitos colaterais, sua prescrição deve ser bastante cautelosa.